16.11.14

Corte de asas

 Não adianta, Maria. Não há silêncio para o estardalhaço dos teus pedaços caindo ao chão. Não há nada senão os olhos do medo no lugar dos teus olhos profundos. Qual a chama que acende teu riso, Maria? É difícil aquecer tua alma se ficas caída no gelo imenso. Branco, Maria, branco, Maria. É difícil te achar se está sem vida. Não adianta, Maria. Não lhe cabe mais a capa que a fantasia de mulher heróica. Tire-a para mostrar a ti mesma o que tu és: hu-ma-na.

26.9.14

Perigo: devaneio

Chateiam-me meias palavras pois sei que as fala inteiras. Desculpe.
A morbidez do passado é sempre trava do meu presente.
Você a quebrou.
Não o vi chegar, mas foi como ser feliz de novo. 

Perigo: devaneio

Chateiam-me meias palavras pois sei que as fala inteiras. Desculpe.
A morbidez do passado é sempre trava do meu presente.
Você a quebrou.
Não o vi chegar, mas foi como ser feliz de novo. 

25.8.14

Na cristaleira

Minha vasta coleção de adeus, minha prateleira de injúrias. Perco a fome com meus vícios, perco o sono, a saúde. Perco sempre o maior pedaço de mim

19.7.14

Por quê te sigo

Ser bom não é da natureza humana, ser corajoso também não é. Mas vejo que você segue sendo os dois, mesmo que hajam relutas. E assim eu sigo também.

17.6.14

Horas perigosas

O problema não é quando corre, o problema não é quando fala. O problema não é quando escuta, o problema não é quando escreve. O problema é quando responde, quando imagina. O problema é quando pensa. O problema não é quando muito, mas sim quando pensa sobre o mesmo. Sempre. A hora perigosa é a hora cara a cara com a solidão. Você, ela diz. E só tem eu, e mais ninguém. O problema não é quando sou eu e você. O problema é quando sou só eu.

23.3.14

À ti

Ternura. Aos braços ternos que me envolvem, aos olhos mansos que me cuidam, ao calor que me aconchega.