20.1.17
Quando bate aquela saudade
Agora quando parei, ficou um silêncio e eu percebi no meu peito quanto eu tenho sentido saudades. Não aquela saudade doída de tristeza, mas aquela que se sente e dá a sensação de que meu corpo precisava estar entrelaçado no teu. Que é de noite, tarde e escuro no quarto e sinto teu calor cobrindo meu corpo e é tudo que preciso. Aquela saudade que lembra como as coisas são doces e tenras. E de como elas podem ser. Aquela saudade que lembra baixinho como é fácil as coisas serem leves, e lindas, e tudo. Aquela saudade que desenha um filminho de verdades na cabeça com aquele direito que nenhum outro filme dá: lembrar do toque, do sussurro, do calor. Quando Bate Aquela Saudade: eu tô com uma vontade danada de ir dormir bem cansado e acordar do teu lado pra te dizer que eu te amo, eu te amo demais... lá lá la lá lá lá lá lá lá!
14.1.17
silence strikes again
Tentei cantar e foi horrível. E isso nunca significou tanto. E isso porque não sei tocar e cantar. E isso porque não sou uma boa dupla de um. Mas, quando canto a dois, significa tudo. E é maravilhoso.
12.1.17
three words plus relief
Não quero invalidar esse tempo porque eu conheço as regras. Mas é tão aconchegante a ideia de em algum lugar ter voz. Estou na rua, no carro. Procuro por todos os lados. Faces e faces e faces. Eu até vejo o que não tem. Procuro em todo lugar. Em todo lugar. Em todo lugar. Em todo lugar. Três palavras mágicas. Obrigada. Eu também.
11.1.17
diagnóstico e terapêutica
Tenho visto diversas pessoas diariamente e talvez a manhã seja o melhor momento do dia por isso. Hoje, em especial, um senhorzinho cheio de ternura. Trouxe seus exames e os exames da mulher. Ele sofre porque ela sofre, e ele sente falta dela feliz e saudável. Fazem 67 dias que ele não fuma mais, e a alegria de ter superado o faz contar de uma vida toda em que sofreu sem achar que tinha solução, mas tinha. E ele achou, e ele sofreu um bocado. Hoje ele sorri o tempo todo, e conta da sua senhora. A senhora dele está longe dele mas ele busca soluções muito mais do que busca pra ele mesmo. Ah, os problemas no pulmão? Eu quero é minha senhora bem. Cheio de receitas e depois de muitas perguntas, ele segue pra casa. E ele vai mais uma vez tentar a fazer feliz. Porque melhor do que respirar novamente, é curar o amor. E sorrir o tempo todo.
10.1.17
Gritos de um corpo cortado pelas navalhas do silêncio
Não aguento o silêncio. Tenho momentos mas eles não são tão meus quando não faço deles, teus. A vida é mais doce a dois. A nós dois adoçando a vida, engolindo a amargura. Ai, que está amargo assim. Mas eu aguento. Mas o silêncio... o silêncio me mata todo dia. Me peguei até rezando pra que o açúcar do teu beijo adoce minha testa, meus lábios, meu corpo, minha vida. Minha vida é tão mais minha quando compartilho contigo. Me peguei acreditando que alguém no universo está escutando meu pedido, meu choro, minha dor funda no peito, e assim vai girando lentamente a roleta do tempo até sortear você pra mim de novo. Nosso amor é o melhor tempero, a melhor montanha e a melhor dança que adoça minha vida. Do melhor jeito. E me calo de novo com a força que só a vontade de te ver feliz me dá. Coragem.
Amor de índio
Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver ao teu lado
Com o arco da promessa
No azul pintado pra durar
Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo
Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar
E andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
E ser tudo
28.12.16
Resolução 2: a criança que ainda somos
A eu criança sempre gostou de brincadeira de muita gente, de muita fala e muito canto e tudo muito alto. Mas a eu criança sempre admirou aquelas crianças que brincavam de pouca gente, de pouca fala e muito silêncio. Como será? Uma sala, uma mesa, diversos materiais. Da cozinha dá pra o ver durante horas corridas. São doces horas silenciosas cheia de arte. A gente nasce pronto pra essas coisas? A gente nasce pronto pra querer dar um pedacinho de si para todo mundo? A gente nasce pronto pra guardar todos os nossos pedacinhos num papel colorido cheio de desenhos? Essas histórias me encantam porque elas desenham o hoje. Uma criança-explosão com uma criança-fusão. Uma indagada com a outra: como pode? Queria um insight desse lado da história. Ano vai ano vem. Menina-mulher-explosão com um homem-fusão? Olha essa menina de vestido azul jogando fora toda dança que tem dentro dela pra todo mundo ver, sem medo nenhum: como pode uma menina assim? Olhe esse menino de violão da mão tocando todo talento dentro dele pro silêncio, sem querer provar coisa nenhuma pra ninguém: como pode um menino assim? E pode.
O menino dos desenhos trocou os lápis por cordas, mas usa das mesmas horas de silêncio. Eu acho lindo, mas eu comecei a não entender. Será que eu não coube no silêncio?
Essa resolução também é minha carta de natal atrasada. Porque meu coração só ficou pronto agora. Conexão 2013-final de 2016: hoje te vi compenetrado no infinito do teu silêncio igual via quando ainda era um mistério pra mim. E essa sensação me faz lembrar da curiosidade apaixonante que palpitou altíssimo em mim. Vi que a criança que fomos ainda existe tão fortemente dentro de nós, e sempre nos disse algo sobre quem seríamos. A eu-criança-de-muita-gente olhava curiosa pra você-criança-de-pouca-gente. E hoje, simplesmente eu olhei de novo para ti como o mistério que eu mais gosto. Eu me encontro nas pessoas, e ele se encontra nas artes da própria alma. Como pode? Ah, ainda bem que eu pude! Achei de novo a chave da pequena porta para esse mundo que me lembra a tamanha felicidade que é poder o conhecer. Eu a tranquei por um tempo sem perceber. Mas, em tempo, lembrei como é mágico poder a abrir.
Fim de ano: abrindo as portas que me levam a viagem singular que é estar do teu lado. Posso entrar?
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