Sou sempre o inferno e o céu. Todos os extremos mais opostos do universo. Mal sei me conter em mim, mal sei me dividir com qualquer outro além de mim. E explode, meu mundo sempre pega fogo ao mesmo tempo que congela. Sempre choro ao mesmo tempo que rio. Por dentro e por fora, em trocas, nunca num completo.
Nunca mantenho meios estáveis, mal tenho começos. Não sei cuidar da minha cabeça nem espalhá-la pelo céu. Meu universo está confuso, de vez em quando perdido.
Sou como água, mas nunca de forma saudável. Ou sou uma tormenta devastadora que destrói tudo que vê com uma onda, ou sou penetrável, vulverável e frágil como água parada, sem defesa, sem movimento. Nunca um equilíbrio. Nunca morna, sempre quente ou fria demais.
Muito expresso mas pouco disso significa, despejo inúmeras palavras que, ao vento, perdem-se fácil. Do mesmo modo que me perco, vezes nem me encontro.
Encontrar-se é tão escuro, a gente nem gosta do que procura, nem acha a coisa certa, se perde em caminho já perdido. Pensa tanto em como mudar sentado em uma esquina qualquer, com uma garota vazia qualquer, um cigarro no canto da boca e mentiras sobre um gosto musical erudita. É tudo tão falso, é mentira, e todo mundo adora enganar, seja a garota vazia bastante ignorante, que oferece o corpo ao estranho ao seu lado, sujeito qual também se engana. Preenche sua vida medíocre com planos medíocres que sempre o levam a lugar nenhum com um alguém qualquer. É tão só mesmo sempre acompanhado. Nada posso falar, tão só me encontro que duvido de minha própria companhia. E que ocorram todos os tragos acompanhados de risos histéricos e parcerias alienadas, a histeria acaba e sempre sobra a mesma coisa, no mesmo canto e do mesmo jeito: eu em meio a solidão buscando meus pedaços.
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