8.3.16

Rabiscos

Lá vem o homem dos números. Ele me explica tamanhas equações e eu as pinto colorido com desenhos sem definição. No espaço do zero ele me conta uma história. Eu a pinto. Ele me ensina a dançar quando choro. Mas quando ele chora, eu choro também. Ele me diz que a vida é pequena demais pra viver de saudade. Mas eu sinto. Porque o homem dos números, no auge da sua exatidão, precisão e certezas concretas desperta em mim o oposto: o mais abstrato dos quadros. O homem dos números me pede pela dança impossível. Enquanto ele se vai, quer me ver dançando. Eu choro, mas choro colorido porque, ao fundo da imagem, vejo o homem se indo no por do sol que canta. Obladi, oblada life Goes On.

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