28.12.16

Resolução 1: amar é intransitivo.

Todo fim de ano me traz uma resolução. Esse fez doer dentro de mim, tocou o sentimento mais protegido do meu coração. Aprende, diz ele! Sente a dor da perda e aprende a ver ele indo. Para voltar. Essa resolução torturou tanto e é tão difícil aprender arriscando o que amo. Ah! Que palavra boa para cutucar todo meu medo. Amar, amar e amar. Aprende a leveza do sentimento, e ensina! Por que o torna tão pesado quando sabes que é doce, assim já o provou? Por que ficaste com tanto medo de um pequeno verbo? É mentira que é transitivo. Para quem consegues entregar humildemente o que é teu, quando és fraco, e vibrar quando és forte? Parem de complicar o amor! Amar é simplesmente intransitivo e incansavelmente plural. Eu e você. Você e eu. PLURALIDADE, simplesmente! As formas são mais diversas mas elas são as formas que desenham vocês, elas existem! Enxerguem-as. É isso que esse ano grita pra mim. E no início é só barulho e medo de não sentir o amor. Depois o encaro com medo, esquivo-me diversas vezes. Eu não sei se existo! Diz ele pra mim. Deito e choro. Mas esse ano, não muito gentil mas extremamente educador, puxa-me e me manda parar de esquivar: não queres perder? Aprenda além de você. Desse jeito cancelas tantas formas que sim, são tímidas e subjetivas, mas genuínas, e as cancela por achar que és a única que sabe o que é amor! Para de o tachar. Assim nunca haverá amor para ti. É fácil entender a própria formar de amar. Nós crescemos a exercitando e idealizando que essa é a fórmula, até se chocar com a realidade de algo extremamente maleável. É claro que dói, mas tire os olhos de tua ideia pronta e olhe para essa nova forma. Aprenda a aceitar e sentir. As diversas formas levam para o mesmo objetivo. E o ano olha nos meus olhos e mostra que sabe quando o medo compete com o amor. Ele não ganha se você não deixar. As vezes dói, mas quem dói é o medo. Amar é doce, quem deixou-me amargo foi tu, cheia de medo. Liberta-te! Aprendi a tentar, de verdade, meio cambaleando e errando as tentativas sobre você. Aí! Eu risquei nosso disco tentando aprender sobre nós. Mas cabe não só a mim, mas a nós, lembrar que vida vivida tem riscos. Cicatrizes. Arrancaram um pedaço da minha carne. "Acho que não volta mais", eu te disse, mas demorei a lembrar de todo o resto de corpo e carne e vida e força segura esses pedaços sem nada. Pedacinhos de história riscados em nós lembrando que dói, mas passa. O ano simplesmente me diz que os motivos que me machucaram são por causa dessa tal pluralidade desse formato maleável, que a língua diz que precisa de complemento mas o coração (certíssimo, concluo portanto) diz que é intransitivo. Amar não tem justificativa. Eu não vou mais tentar justificar o amor. Eu vou simplesmente amar para encher teu coração e abrir o meu, mas agora sem formas, e sim uma grande entrada para entrar tudo que você querer me dar. E o encherei até quando quiseres.

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