Não, não é isso, não apenas isso, nada daquilo, nenhum desses. Não é daquele, do outro, de nada, de ninguém. Agonizante, perturbante, silencioso, fechado. É chuva, vento, trovões, escuro e medo. É confuso mas não, não preto.
Voltas e voltas, conspirações. E o verão se aproxima, transcorre.
Não se pode ouvir os passos lentos sorrateiros que se aproximam? Não se pode saber se deve partir, deve deixar. Agora deveria ir, em casa me chamam porém irei fugir até o dia que não se possa confundir o confuso do inexplicável. Explique-me o que não sei dizer, o que não sei sentir, o que não devo pensar. Explique-me para mim mesma.
26.10.11
ser se ainda se puder ser
Pouco tempo para muita coisa, muita gente para pouca paz. É muito para o que é nada. O que estou fazendo de mim?
Não quero nada, não quero ninguém, e de repente tudo: todos os lugares, todos os minutos, até você. Logo tudo vira e se transforma. Nada volta, tudo fica, fica o velho, vezes o novo, vezes o estranho e sempre o desconfortável. E anda, anda por todos os lugares. Persegue, corre, consome, grita, finge, some. Por fim, cansa, meia volta e tudo não está onde deveria estar. Solidão e a terrível sedução que proporciona, tem mudados os dias agudamente, continua sendo altamente bom porém, terrivelmente triste.
Passa o tempo tão rápido quanto não deve, não passa devido aos sangrentos segundos promissores. Para o bem ou para o mal, talvez tão confuso quanto eu.
21.9.11
eternity
Nada tem um lindo para sempre, geralmente não resta nem um "feliz" para completar o "para sempre", que não é verdade. A eternidade é uma mentira assim como todas as outras que nos contam para tentar ilustrar um cenário um tanto quanto preto e branco, que é a vida. Nem tão preto assim, somos felizes mas não para sempre, assim como somos tristes porém, não para sempre, porque nada é eterno, nem a vida, nem a morte, nem qualquer pessoa, relação, emoção, reação.
Acho que, na verdade, são apenas momentos, o que nos faz pensar que eles são eternos são as lembranças, que também não são eternas. O que é eterno permanece igual sempre e as lembranças mudam conforme nossa opinião sobre as pessoas muda, lembranças não seriam nada sem elas. Desse modo, me vi quase escrevendo sobre amor, que também não é eterno, mas é bom enquanto dura, enquanto deve durar. Depois tudo é só lembrança, então a gente morre.
Acho que, na verdade, são apenas momentos, o que nos faz pensar que eles são eternos são as lembranças, que também não são eternas. O que é eterno permanece igual sempre e as lembranças mudam conforme nossa opinião sobre as pessoas muda, lembranças não seriam nada sem elas. Desse modo, me vi quase escrevendo sobre amor, que também não é eterno, mas é bom enquanto dura, enquanto deve durar. Depois tudo é só lembrança, então a gente morre.
12.9.11
welcome home
O silêncio era bom, acompanhado de um dia nem tão frio nem tão quente perfeitamente enfeitado por um céu azul em que sol batia no meu rosto. Olhos fechados, porém vendo tudo, tudo que existe fora daqui, dentro de lá.
As folhas balançam conforme o vento as faz dançar, montam uma melodia. Elas são fantasmas que uivam contra o vento, roubam meus pesadelos e deixam nada além de um gratificante estado pacífico entre ser e estar. Cura os traços de velhas cicatrizes sobre o branco de minha pele que parecia ofuscar ao sol. O rosto quase exageradamente preenchido de uma coloração rosa, natural.
O silêncio e o balanço das árvores era o som perfeito, nada a mais ou a menos poderia deixar aquele momento mais acomodante, afinal, eu estava em casa.
3.9.11
got the vision
Viajo, vejo o horizonte, vejo gansos, vejo uma linha púrpura entre alcançável e inalcançável, vejo flores, vejo o céu, vejo o mar, vejo o inferno e então vejo você.
Viajo, vejo o mundo, vejo tudo, vejo nada, vejo o que viajo, vejo as pessoas e então vejo o mal.
Viajo e então mergulho, vejo as cores, vejo a luz. Sinto o sol e sinto a solidão, era bom. Me vi sorrindo, ri de mim, não lembrei dos meus medos, não lembrei de ninguém. Nem de mim.
Viajo, vejo o mundo, vejo tudo, vejo nada, vejo o que viajo, vejo as pessoas e então vejo o mal.
Viajo e então mergulho, vejo as cores, vejo a luz. Sinto o sol e sinto a solidão, era bom. Me vi sorrindo, ri de mim, não lembrei dos meus medos, não lembrei de ninguém. Nem de mim.
19.8.11
i won't do
Quem sabe algum dia se possa ter total poder sobre sua própria vida. Quem sabe um dia nenhum possessivo do inferno vai tentar acabar com sua alegria por puro egoísmo. Quem sabe um dia param de duvidar sobre o que você é, o que você faz, o que você sente e o que você quer, pois não se pode nada, não se vive nada. Se vive a guerra, se vive a beira de regras, e se for um pouco mais fundo, não se vive. Se perde a vida ao meio de quem quer vê-la acabada, quem nasceu morto por dentro, cresceu em maldade. E porque estranhar o que faz parte da maioria?
Trancados no inferno, o paraíso custa o fim.
Trancados no inferno, o paraíso custa o fim.
14.8.11
inner light
Pés descalços, uma música suave e solidão. Talvez seja ruim, talvez a mais simples rotina de qualquer ser humano. Vezes é toda a felicidade que se precisa e vezes é tudo o que os demônios precisam para se libertar. Meus demônios.
Variações de sensações que vão desde uma crise existencial até algo semelhante a uma anestesia emocional. Do tudo ao nada, do fogo a água. Dentre mim, sobre mim.
Indiferente da situação algo nunca muda: o céu não é o limite para meus pensamentos. Eles voam, eles fogem, chegam, vão, empurram, planejam, desfazem, refazem, temem, e voltam para o mesmo nada, vezes frustado, vezes satisfeito. Vezes infernal, vezes caminho para o infinito paraíso. Caminhos errados, caminhos traiçoeiros. Caminho que nunca chega.
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