27.12.12

we'll be old

  Afunda-se em pequenas grandes horas num abismo fino e longo, tênue. Passam e morrem, a cada segundo. Morrendo feliz, tentando não morrer. Muito morre, mas existe o bastante para continuar morrendo da mesma forma a cada segundo. 
  Os segundos morrem, a alma renasce, recria. Viaja mas nunca o suficiente. Quando será o suficiente? O quão velhas se tornarão as almas, algumas desacreditadas em existir, mas mais reluzentes ao meio das outras, em perfeita sincronia? 

  Tornaremo-nos velhos sem nunca cansar, talvez da vida, talvez do mundo, talvez de nós. 
  Brilham olhos cansados mas sempre a busca de mais. Sempre acha. Acha, gosta, interpreta, cria, recria, voa, sorri, chora, fala sem muito dizer. Vivem, encantam. Amo-te.
  

5.12.12

thinking, talking, wishing

  E a gente continua, reiventa, ajeita e pensa muito. Não por mal, pensa por bem, pensa no amor que a gente tem.

1.12.12

Querer, ser, sentir

  É o mesmo sábado de algum tempo atrás em que, estando aqui ou não, me pego escrevendo sobre a mesma alma. Você me apanha e me reserva, me adota, me cuida e parece que me joga. O mesmo jogo de velhos truques, de mesmos jogadores. Não cansa, está em evidência. 
  Inconscientemente em mais um sábado me pego pensando sobre a mesma possível falha. O que falta? Nosso jogo sempre trava, vezes continua. Apenas as vezes não me contenta. Sabemos ser simétricos e é fácil sermos assim. Não me cansa esperar, não me cansa pensar desde que a simetria esteja estabelecida. 
  Hoje, infelizemente, é mais um sábado onde não sei te reiventar. 
  Ontem, estranhamente, não sabia te conhecer.
  Amanhã, felizmente, é um novo dia.
  Ande, mas volte. Cresça, mas continue. Nunca me agradará ser um calendário do ano passado. 
  Sob o céu hoje bastante pesado de dúvidas, tentativas e blues tento fazer o que já me pedira: voe alto e longe, voe perto e baixo. Nunca vou me entender, mas nada é certo ao certo. Verdes (ou azuis), possa crer em voar... Não há nada mais a querer, apenas se te ter e te amar. 

1.9.12

If you can't save it leave it dying on the road

  Silêncio e quase nada mais foi o que preencheu esse tempo. Quase. Entendo-te tão perfeitamente mas não te conheço. Umas palavras, alguns acordes, algo novo para te conhecer novamente. Te reconhecer, te reiventar, mutar e voltar ao princípio, ao que eu conheço. Te reconstruo todo dia e reconstruo sem lembrar nem do que eu sou. As vezes eu acho que sou você, mas não te conheço. Hoje te relembrei um pouco e o jardim começou a crescer de novo. Com sua tamanha leveza e claridade, trouxe novamente as mesmas velhas e bonitas borboletas que gostam de fazer aquela curiosa sensação na minha cabeça parcialmente vaga... sabe, as borboletas bobas que culpam o lugar errado de sua sensação.
  É meio inexplicável, juntos todo e qualquer chakra se alinha, qualquer prisma faz um arco-íris. Hoje te reiventei um pouco, me reiventei e entrelacei nossas ideias. Elas se encaixam e elas são iguais, tão iguais que chega a ser estranho, como você, pois eu também não te conheço. Não conheço e tanto te conheço, esqueço de quase tudo menos do teu olhar louco e linear que tenta me convencer a cada segundo que o céu pode não ser azul como o mar, como teus risonhos olhos.
  Estamos nos descobrindo ou nos redescobrindo? Crescemos ou apenas nos conhecemos? Porque não te apago já que não te conheço? Já que não te salvo e deveria te deixar a sós com a solidão? Sim, só nós podemos nos reiventar, apenas nós podemos ser a luz e o prisma.

16.6.12

-

   Dá medo pensar nisso ou apenas dá medo de pensar. Quando mais penso mais medo tenho e quanto mais medo tenho mais penso. Quanto mais penso mais sei que não sei quase de nada e que achamos que sabemos demais. Se deseja que tudo seja rápido, não se dá mais o tempo que se precisa para pensar o suficiente a ponto de não saber mais nada e, então, de repende tudo: todas as respostas.
   Correr demais para conquistar o objetivo logo, esqueço dos cuidados: não corra, não morra. Mas é tão eu, quase tão meu, nada de você. Sai, se retira, tua presença só estressa o que é harmônico demais pra influências ruins. Saia ou fugiremos, como se já não fosse o suficiente. Deixe só o essencial e o suplementar, retire.

4.6.12

eu vou cuidar do seu jardim

  Um lugar qualquer em um dia qualquer ainda será o marco do que chamaremos de tudo. Um jardim no outono, um balanço e uma leve brisa. Solidão a dois, silêncio a dois ou, melhor, melodias para dois... seja dois anos, seja duas décadas, dois séculos ou dois dias, com dois milhões de espectadores ou só nós dois... só Deus assistindo o designado doce destino que armou.
  Estou voando, você também está? As vezes dura bastante, as vezes apenas um toque suave e, dentre tantas vezes, nunca o suficiente. Alguns pronomes possessivos, mais um longo tempo e um pouco de mim e de você, da passagem de alguns problemas e um prazo longo e prazeroso de felicidade. Sim, não necessitamos de quase nada que não estava aqui antes de nós, talvez apenas um violão e um óculos velho e destruído. Além disso? nada. Uma praia, um pôr do sol, uma canção e um jeito novo para gostar de todas as coisas da vida, desde mim até você. No fim, quando estivermos alcançando o horizonte, olharemos pra trás e daremos risadas com um toque sutil de pena do castelo de ilusões construído por um grupo de cegos, os chamaremos de cegos do castelo. Corra comigo pois o mar nos espera, um violão, uma canção, estamos apenas nós longe da escuridão.

11.5.12

blue

Pequenos mundos dentro de alguns um pouco maiores, cheio de muitos outros pra formar apenas mais um de muitos, ainda poucos. Cresce e colore, todo azul, todo cheio de mim, das velhas músicas, dos novos significados, de mim e você, de você e de mim, nós, um todo azul. Como o céu, como o mar, como a imensidão e como o que só um haverá de entender. Estranho gostar tanto do céu, do mar, do sorriso, da noite, do mundo e do velho all star azul.