12.1.13

Painful

Aquele som oco repetiu-se hoje tentando quebrar a si próprio em pequenos pedaços. A gente cresce. 
Aquele nó intenso que me contorce e me revira como se fosse sem vida repetiu-se, mas assustou-se ao ver que era controlado e não controlava. A gente cresce.
E desapareceu um pouco de tudo. De cor, de amor e de dor. De modo inédito desapareceu menos do que deve ficar. A gente cresce.
A gente cresce mas parece não crescer. Muda e reinventa. De todos os modos e maneiras que lhe dei para transformar possibilidades em páginas usara o pior de todos. A gente cresce, mas continua fazendo errado. para e nunca termina do mesmo modo que nunca germina e fica numa sessão de episódios e temporadas inacabáveis sobre a mesma história lenta e cheia de curvas. 
Nessa curva houve acidente.
A gente cresce mas nem sempre esta realmente pronto para encarar a estrada com os caminhos a seguir na vida. Corre achando que andar é bobagem e acaba matando uma espécie de vida que há de ressuscitar. 
A gente cresce e aprende que o jogo mudou e começa aprender a jogar.
A gente vai crescendo e vai errando, mas este jogo não aceita falhas lúcidas porem alienadas.
A gente cresce, mas crescer não quer dizer se libertar da ignorância. Este é outro capitulo que já li, mas falta você. A gente cresce errado.
Sem medida e sem fundo sobre algo que vai além do próprio eu. Sem direção, sem percepção alguma. Eis aqui uma doença que ataca milhares de centenas que ainda juram estar claros sobre a vida e seus atos. Quão escuro deve ser o lugar em que nos encontramos e quão claro pensamos que ele é? A gente sabe crescer mas não sabe se moldar.
Tornar-se o que somos é uma planta apoiando-se em, dentre diversas opções, algo como uma parede, um tronco ou tornando-se a própria arvore. É mais fácil apoiar-se em tudo do que crescer com a própria força. Força é dignidade. É árdua, complicada e não tão atrativa, é o que explica todos os erros e evidencia as falhas. A gente cresce. Aborrece. Entristece. Dentre de tudo que tem consegue crescer e morrer todo dia um pouco mais sozinho.

Sway

O mundo é um fino cristal. Talvez porque é belo, brilhante, porém quebra. Sendo assim, o mundo é um emanharado de promessas. Talvez porque sejam belas, brilhantes, porém quebram. E que vacilante e pobre são os humanos. Desgovernados, desastrados, apenas sabem quebrar. Constrõem grandes palácios de cristal para, então, quebrá-los. E então, o que possuem? Um pensamento grandioso demais sobre algo que pensam ser, mas não sabem ser. Despedaçam e desperdiçam. Tentam crescer, mas crescem errado. Desconsolidam, destrõem. Um pouco até de mim, mas mais si mesmos.

27.12.12

There's someone in my head but it's not me

  Mas o que é isto que me contorna, contorce, retorna, remexe, revira, revive?
  Permissão. 
  Submeter-se a si é a forma mais concreta de encontrar-se. Toda forma, cor, expressão que brota não aprende a viver por si só e não sabe conter-se sob um pequeno espaço dentro de um universo que não sabe viver isolado. Assusta. Cultivar a vida nua e crua em sua integridade selvagem dentro de si e apenas para si é prender toda a flora de um conjunto de ideias e pensamentos vorazes querendo se desprender para dentro de outra mente tão expressiva quanto. Amedronta. Encontrar-se em alguém é entregar-se a algo fora de seu universo complexo e alucinado. Complica. Entregar-se é algo único e, as vezes, um erro. Encontrar-se é sincronizar toda a energia pura e sincera que exista até mesmo no mais fundo dos universos.
 Somos universos cheio de abismos escuros que confundem e relevam. E há quem irá explorar todas as curvas da estrada sinuosa e arriscar-se por cada segredo. Além disso, o pegará e colocará em um dos cantos mais intocáveis do eterno abismo dentro de si. Essa alma, esse universo, essa estrada. Esse abismo é no qual deve afundar-te.

we'll be old

  Afunda-se em pequenas grandes horas num abismo fino e longo, tênue. Passam e morrem, a cada segundo. Morrendo feliz, tentando não morrer. Muito morre, mas existe o bastante para continuar morrendo da mesma forma a cada segundo. 
  Os segundos morrem, a alma renasce, recria. Viaja mas nunca o suficiente. Quando será o suficiente? O quão velhas se tornarão as almas, algumas desacreditadas em existir, mas mais reluzentes ao meio das outras, em perfeita sincronia? 

  Tornaremo-nos velhos sem nunca cansar, talvez da vida, talvez do mundo, talvez de nós. 
  Brilham olhos cansados mas sempre a busca de mais. Sempre acha. Acha, gosta, interpreta, cria, recria, voa, sorri, chora, fala sem muito dizer. Vivem, encantam. Amo-te.
  

5.12.12

thinking, talking, wishing

  E a gente continua, reiventa, ajeita e pensa muito. Não por mal, pensa por bem, pensa no amor que a gente tem.

1.12.12

Querer, ser, sentir

  É o mesmo sábado de algum tempo atrás em que, estando aqui ou não, me pego escrevendo sobre a mesma alma. Você me apanha e me reserva, me adota, me cuida e parece que me joga. O mesmo jogo de velhos truques, de mesmos jogadores. Não cansa, está em evidência. 
  Inconscientemente em mais um sábado me pego pensando sobre a mesma possível falha. O que falta? Nosso jogo sempre trava, vezes continua. Apenas as vezes não me contenta. Sabemos ser simétricos e é fácil sermos assim. Não me cansa esperar, não me cansa pensar desde que a simetria esteja estabelecida. 
  Hoje, infelizemente, é mais um sábado onde não sei te reiventar. 
  Ontem, estranhamente, não sabia te conhecer.
  Amanhã, felizmente, é um novo dia.
  Ande, mas volte. Cresça, mas continue. Nunca me agradará ser um calendário do ano passado. 
  Sob o céu hoje bastante pesado de dúvidas, tentativas e blues tento fazer o que já me pedira: voe alto e longe, voe perto e baixo. Nunca vou me entender, mas nada é certo ao certo. Verdes (ou azuis), possa crer em voar... Não há nada mais a querer, apenas se te ter e te amar. 

1.9.12

If you can't save it leave it dying on the road

  Silêncio e quase nada mais foi o que preencheu esse tempo. Quase. Entendo-te tão perfeitamente mas não te conheço. Umas palavras, alguns acordes, algo novo para te conhecer novamente. Te reconhecer, te reiventar, mutar e voltar ao princípio, ao que eu conheço. Te reconstruo todo dia e reconstruo sem lembrar nem do que eu sou. As vezes eu acho que sou você, mas não te conheço. Hoje te relembrei um pouco e o jardim começou a crescer de novo. Com sua tamanha leveza e claridade, trouxe novamente as mesmas velhas e bonitas borboletas que gostam de fazer aquela curiosa sensação na minha cabeça parcialmente vaga... sabe, as borboletas bobas que culpam o lugar errado de sua sensação.
  É meio inexplicável, juntos todo e qualquer chakra se alinha, qualquer prisma faz um arco-íris. Hoje te reiventei um pouco, me reiventei e entrelacei nossas ideias. Elas se encaixam e elas são iguais, tão iguais que chega a ser estranho, como você, pois eu também não te conheço. Não conheço e tanto te conheço, esqueço de quase tudo menos do teu olhar louco e linear que tenta me convencer a cada segundo que o céu pode não ser azul como o mar, como teus risonhos olhos.
  Estamos nos descobrindo ou nos redescobrindo? Crescemos ou apenas nos conhecemos? Porque não te apago já que não te conheço? Já que não te salvo e deveria te deixar a sós com a solidão? Sim, só nós podemos nos reiventar, apenas nós podemos ser a luz e o prisma.