27.7.16

coração devastado querendo sangrar todos os climas e tempos

Cadê? Meu giz pra desenhar um lugar de fugir quando meu coração dói e não quer ser de ninguém. Cadê? A borracha pra eu apagar minha alma quando meu coração não consegue. Ele corre atrás do fio da tua felicidade mas ela sempre foge, e foge para o passado. Ele vai exasperado atrás de tudo que possa lhe pintar um sorriso ponta a ponta pra mim, mas ele sempre quebra no meio do caminho. Ele ama te manter bem no fundo, mas as vezes é difícil e dói. Todo mundo dói na verdade, mas você dói mais quando não nos deixa alcançar teu fio. E o leva por um labirinto escuro. E bato na parede. E sangra. E dói. O amor é fogo que arde sem se ver? Fica suspeita a ardência, mas dói. E anestesia. É um soco sinestésico no meu coração que sangra e dói. Mas s e n t e.

19.4.16

All of me wants all of you

Enigmático coração que sempre descobre novos caminhos. Cansa de alguns, sofre com outros. Mas nesse delta contínuo e lento e pesado, um interessantíssimo caminho ramifica-se sem enfraquecer seus diversos canais. Aprender amar. Recriar o amor. Trilhar caminhos com cores que não existem, mas pintam meu coração. Nesse vasto rio colorido navegam diversos. Como é lindo teu caminho, e vasto. E como ele recria. Recria amor, ensina-me. Hoje descobri mais um modo de me apaixonar pelo mesmo caminho. E ele segue, suave, abrindo todo canto escuro do meu coração. Amar é doce.

3.4.16

Ponto? Ponto e vírgula.

Batemos. Pela janela que escorre o sangue também entra a luz. Chuva e sol são a vida e a morte de mãos dadas desenhando no céu uma pequenina porém forte lição: plenitude. Não temos espaço para tanta relatividade, tanto medo, tanta prisão. O tempo grande pode querer ser escasso em frações de sua existência. A vida é vasta, e assim é meu coração, dilatado pelo tempo que o aperta e diz: vive! Vive que não há tempo para relutar tanto sobre a felicidade. Expande a luz forte da alma que carregas, espalha esse amor gigante que é a síntese da tua existência. Batemos, e agora meu coração bate mais. Vê as mil cores do dia cinza. Bate com tanta ânsia pela vida que chega a doer. Chorou na tua ausência e aprendeu, ao bater, que o tempo contigo é ouro tão valioso. Ouro dos teus olhos, da luz dos teus olhos que parece mais forte agora. Que dança louca é a luz dos teus olhos nos meus, fundindo-se numa ondulatória colorida que desenha um céu tão lindo, o qual faz lembrar a liquidez que é viver. Mas é lindo o líquido. Escorre o sangue, evapora para o céu e chove em forma de renovação. Recomeço. Batemos para viver. Pego tua mão e seguimos colorindo.

21.3.16

we are infinite

Escuto. O tom ecoa pelos cantos e me leva junto. Sigo de olhos fechados, guia-me a clave de sol do meu tom. Mas meu tom muda, e ele se perde também. Ele não sabe qual rumo seguir, que música tocar. O tom-eu é o silêncio, o soluço mudo que dói. Mas passa. Abro meu olho e aprendo a tocar, toco até meu tom se achar. Então ele me acha. O tempo cria novos caminhos para nos perdermos. Mas nos achamos, sempre. Numa mesa de bar me visto de outro tom. Toco diferente para tu te achares ao meio das músicas que em ti ecoam e te confundem. As vezes não sei ouvi-las, e paro de tocar. Mas, nessa noite, quero te fazer ouvir todas as músicas dentro de ti e ajudar-te a escolher a que melhor lhe veste. És um antro de sons, de poesia, de mistério para meus simples instrumentos de compreensão. Mas tento. Afundo-me nesse escuro teu, me aninho no teu breu, me perco em tuas canções, mas me clareio nos teus braços. Ah! Não existe mais bela composição que a batida de teu coração no ouvido meu, sussurrando baixinho: per-sis-te. Na mesa, teu tom não encaixa com meu disfarce. Não conheço todas composições, mas prendo-me forte a nossa pois ela ecoa dentro de mim gigante, densa, quente. Intensa. Ela encaixa. Com ela, sigo de olhos fechados. Mas. Vejo. Tudo. Enxergue também. Enxerga-me. Enxerga-nos. Escuto.

8.3.16

Rabiscos

Lá vem o homem dos números. Ele me explica tamanhas equações e eu as pinto colorido com desenhos sem definição. No espaço do zero ele me conta uma história. Eu a pinto. Ele me ensina a dançar quando choro. Mas quando ele chora, eu choro também. Ele me diz que a vida é pequena demais pra viver de saudade. Mas eu sinto. Porque o homem dos números, no auge da sua exatidão, precisão e certezas concretas desperta em mim o oposto: o mais abstrato dos quadros. O homem dos números me pede pela dança impossível. Enquanto ele se vai, quer me ver dançando. Eu choro, mas choro colorido porque, ao fundo da imagem, vejo o homem se indo no por do sol que canta. Obladi, oblada life Goes On.

22.11.15

solitude

Minha escrita é um prato cheio para quem está dolorosamente só e um grande devaneio para quem está deliciosamente só. Provo dos dois. Leio em ambas situações. Sinto-me altamente compreendida por mim mesma por vezes e, em outras, uma grande incompetente no mundo da palavras. Mas só escrevo em uma situação: dolorosamente, desesperadamente só, mesmo que cercada de gentes de todos os tipos. Solidão não é só ausência física. É ausência de autoconforto, de autoconfiança, tantos "autos" para alguém tão baixo. Sento-me, explico a mim que não há razão nessa sensação. Não há mesmo, não há razão alguma que tire o rombo do meu peito quando me sinto só. Não há piada, festa,sexo ou companhia que me tire do escuro áspero da solidão dolorosa. Solidão é a mão que afaga e depois bate. E não se estende de volta.

16.11.14

Corte de asas

 Não adianta, Maria. Não há silêncio para o estardalhaço dos teus pedaços caindo ao chão. Não há nada senão os olhos do medo no lugar dos teus olhos profundos. Qual a chama que acende teu riso, Maria? É difícil aquecer tua alma se ficas caída no gelo imenso. Branco, Maria, branco, Maria. É difícil te achar se está sem vida. Não adianta, Maria. Não lhe cabe mais a capa que a fantasia de mulher heróica. Tire-a para mostrar a ti mesma o que tu és: hu-ma-na.