27.12.16
Tired of this 1 to 10 game of yours
Recebo 1 jogo 10 recebo 1 jogo 10 recebo 1 jogo 10. Não sei jogar 1. Mas 10 pesam. Mas 1 é tão pouco. De 1 em 1 eu tenho 10, mas e o débito? 10 e 100. Negativo. Continuo jogando. Um dia serei uma boa jogadora. Não de jogar 1 e receber 10. De jogar 10 e receber 10. Não diminuo aposta. Só não sei parar de jogar.
4.12.16
I like when I can't have it
Mais longe. Mais quero. Corda bamba do penhasco: eu estou. Mas cansa os pés. As vezes eu canso de dançar sozinha nas palavras, porque me sinto só. Por que me sinto só? Porque por favor, por favor, por favor! Eu quero carinho, eu sou carinho. Estou desmoronando, estou perdida quando não quero me perder. Por que só eu tenho que me achar? Por que só eu? Sempre nas palavras, nas danças, nas cordas bambas.
20.11.16
Quando encaixa
Pele. Toque. Olho a olho. Envolvimento. Selvagem e doce. Sinestesia. Cabelos e mãos e carinho, e força, e pernas, e braços. Cabeça distante do mundo; novo mundo: dois habitantes, sete bilhões de sensações. Todas as sensações. Arrepio, toque, carisma. Conhecimento singular, sublime. Que encaixe! Quebra cabeça perfeito é esse. Corpo plus corpo, toque plus toque, mão eu, mão você: explosão. E segue a dança, sempre tropical, sempre quente, mas sempre com um toque delicado que é simplesmente O toque. Pele, toque, entrada. Permanência. Explosão, explosão. Que satisfatório. Tem momentos que cabem na eternidade. Tem encaixes que alcançam a alma. Pele, toque, olho, carinho, carisma, explosão, êxtase, e conexões que nunca acabam. Corpo com corpo se encontram pelos feromônios da alma. Tem coisas que simplesmente são, e elas são simples e simplesmente, o auge da nossa existência. Não tem nada como te tocar. E viver mais.
2.11.16
A hora do medo
Aprendi em certas páginas sobre a hora do medo. É dessa que eu tenho medo. Mas a minha me encurrala na parede e me conta quando estou perdida e não me diz pra onde ir. Ela me desperta toda simpatia da luta e da fuga, mas eu só fujo. Porque na hora do medo o ponteiro pesa e estagna, eu fujo da hora mas ela nunca acaba de passar. Na hora do medo eu não sei quem eu sou, eu não sei pra onde ir e eu não sei ver cor nenhuma. Eu corro e só encontro o problema. E corro, e a hora me pega, e corro, e a hora não passa, e corro, e a hora me prende de novo no mesmo canto escuro. Na próxima esquina tem luz, mas a hora eclipsa ela. A hora do medo não me deixa ir pra frente. Eu olho e penso e formulo, mas o ponteiro despenca em mim. Quando eu não sei por onde ir, é dessa hora que tenho medo. Mas olha! Lá está a luz. Longe, na próxima esquina. Badala a hora do medo. Caminho, caio, e dói, e eu choro. Badala a hora do medo. Eu tropeço, eu consigo ver a luz. Badala a hora do medo. Eu ando, eu quase não fujo mais. Badala a hora do medo. Eu ando, eu corro, eu vejo tuas curvas na luz. Badala a hora do medo. Estou chegando na luz, já te vejo sorrindo. Badala a hora do medo. Eu entro, te abraço e quase não acredito. Entrou a nova hora, com uma nova era que grita pra mim: chegaste! Dança, ama, sorri! Para cada hora do medo, 23 para viver de novo. E nos reinvento com um beijo.
27.10.16
Olha só, mulher
Nem tudo quer entrelaçar teu dedo. Nem todas as músicas são pra ti. Nem todo olhar é a poesia que tu esperas. Tem sonhos que são só teus e ninguém quer realizar. As vezes é só você, sozinha. Nem sempre tem felicidade pros teus olhos tristes. Nem sempre a surpresa que queres é o que pensam em te fazer. Você nasceu pra ter o amor ao teu lado sempre, uma família gigante de rostos amigos, mas nem tudo é assim. Nada é assim. O amor brinca contigo e te rodopia e te faz lutar e provar que ele existe todos os dias. Porque as vezes ele não quer aparecer, as vezes ele não sabe aparecer. Mas você sempre levanta, olhos tristes ou não, e vai reconquistar ele outra vez.
Vai.
Vai!
27.7.16
Não é concretismo
Eu, mulher de poesia, não sou só palavras. Hoje o palpável me foge ao toque e faz falta. Não me sinto a encantadora mulher que sou. Será que sou? As palavras não têm sido convincentes. Porque eu preciso ver a poesia se entrelaçando às minhas curvas. Eu não a vejo mais. Porque eu preciso ver a melodia rítmica harmonizando às feições da minha face. Eu não a vejo mais. Não me sinto um grande livro, hoje me sinto uma anotação. Faltam palavras e talvez não existam palavras para me fazer sentir uma grande e concreta mulher. Sinto-me sublimar. Preciso do real pra ser completa. É com essa música que sinto meu corpo dançar e ser um mundo inteiro de novo. Mas ela parou de tocar, e eu não sei como se dança no escuro. Minha poesia não sobrevive ao inteligível, mas só no inter-eu-e-você
coração devastado querendo sangrar todos os climas e tempos
Cadê? Meu giz pra desenhar um lugar de fugir quando meu coração dói e não quer ser de ninguém. Cadê? A borracha pra eu apagar minha alma quando meu coração não consegue. Ele corre atrás do fio da tua felicidade mas ela sempre foge, e foge para o passado. Ele vai exasperado atrás de tudo que possa lhe pintar um sorriso ponta a ponta pra mim, mas ele sempre quebra no meio do caminho. Ele ama te manter bem no fundo, mas as vezes é difícil e dói.
Todo mundo dói na verdade, mas você dói mais quando não nos deixa alcançar teu fio. E o leva por um labirinto escuro. E bato na parede. E sangra. E dói.
O amor é fogo que arde sem se ver? Fica suspeita a ardência, mas dói. E anestesia. É um soco sinestésico no meu coração que sangra e dói. Mas s e n t e.
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